FILME: NO PORTAL DA ETERNIDADE

VINCENT VAN GOGH

POR @digitalistika





ESTUDO SOBRE VAN GOGH - SINOPSE DE REFERÊNCIA 
FILME: NO PORTAL DA ETERNIDADE
NO PORTAL DA ETERNIDADE
Título original: At Eternity's Gate
Gênero: Drama Ano 2019 Classificação indicativa: +12
Duração: 111 min País: Irlanda, Suíça, Reino Unido, França, EUA
Direção: Julian Schnabel
Produção: Jon Kilik
Roteiro: Jean-Claude Carrière, Julian Schnabel, Louise Kugelberg
Elenco: Willem Dafoe, Rupert Friend, Oscar Isaac, Mads Mikkelsen, Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Niels Arestrup, Anne Consigny, Amira Casar, Vincent Pérez, Lolita Chammah, Stella Schnabel, Vladimir Consigny, Arthur Jacquin, Solal Forte
O filme é: Dramático, Inteligente, Reflexivo, Sensível
Perfil: Biografía, Social
Sobre: Comportamento, Vida, Loucura, Sociedade, Trabalho
Origem: Europeu


prólogo

Antes de começar a sinopse do filme, gostaria de falar um pouco sobre minhas impressões sobre esse filme. Antes dele, assisti o filme “Vince e Theo” - feito em 1990, que mostrava um Van Gogh agressivo, imundo, um verdadeiro louco. Já esse filme de 2019, traz um Van Gogh que também apresentava problemas mentais, mas mostra um lado sensível, um Van Gogh mais amigável, mais sensível.
Já o antigo, traz uma versão masculina das Helenas dfa regina duarte, gritando sem parar, misturada com um mendigo com gengivite, com o humor do Iluminado.
Porém, assistir os dois filmes me deu mais informações, no filme de terror (o primeiro) aparece cenas em que o pintor convive com a família, aparecem a pessoas diminuindo e fazendo pouco dele.
Mas gostei mais da abordagem desse filme novo, e por isso escolhi essa referência

O filme começa com a tela preta, como se Van Gogh estivesse no escuro com seus pensamentos, nos quais ele  imaginava um mundo onde ele fosse igual aos outros, onde as pessoas o tratassem bem e gostassem dele.

Quando o filme começa, mostra um pedaço de um episódio que acontece com ele antes de sua internação, volto a isso mais pra frente. Depois desse “déjà vu”, o filme pula para uma cena na qual Van Gogh está sendo expulso com seus quadros, de um estabelecimento, um restaurante, com cujo dono tinha acertado de montar ali uma exposição de duas semanas com trabalhos de diversos artistas que participavam de uma espécie de “clube” formado pela comunidade artística da época na qual van Gogh se incluía,  porém nenhum artista apareceu, Van Gogh não era popular e acabou que a exposição só tinha quadros dele. O dono ficou bravíssimo e o escurraçou em público, com a casa cheia, fez ele tirar tudo da parede, na frente de todos. Van Gogh saiu com suas coisas e foi pra uma reunião da comunidade artística.

Essa comunidade era formada por vários artistas, Gauguin era um deles, e a pauta da reunião era o aluguel de uma fazenda ou outro espaço, onde os artistas pudessem trabalhar e viver juntos, e trocar experiências. Na cena discutiam como seria o pagamento do aluguel, uma vez que nem todos vendiam quadros com facilidade. Alguém sugeriu que quem não vendesse, trabalhasse de cozinheiro ou jardineiro, e Gouggain se irritou disse que eles queriam definir quem manda e quem obedece e saiu da reunião largando todos lá. Vincent gostou da atitude e foi atrás dele. Gauguin queria descobrir uma nova forma de pintar e ele sabia que com todos juntos, seria impossível ser o inventor de algo. E ele queria ir para a Ilha de madagascar. Já Van Gogh queria pintar quadros com o brilho e calor do sol, e foi nesse encontro que Gauguin sugeriu que ele fosse para o sul (França) pois a natureza e o sol brilhavam lá.

E então Vincent muda para Arles, no sul da França e se hospeda em uma pensão, paga pelo irmão Theo, que era quem pagava todas as suas contas. Esse irmão era comerciante e vendia entre outras coisas, arte de artistas diversos, porém os quadros do Van Gogh custaram a vender, e isso só ocorreu após a sua morte.

Em Arles Vincent costumava ir ao campo pintar, especialmente a um cheio de girassóis, porém com a chegada do frio e das chuvas, ele sentia que precisava de um espaço para trabalhar e pergunta na estalagem onde frequenta se alguém sabe de um espaço pra esse fim. A garçonete sugere a casa amarela da vizinha que estava vazia. E ela dá um caderno em branco para ele desenhar. E então na cabeça dele rola um clima entre ele e a tal moça, mas não passa disso. Essa moça era Gaby, que na história mais conhecida sobre o pintor, era a tal prostituta a quem Vincent entregaria sua orelha posteriormente.

Van Gogh não era uma pessoa higiênica, não tomava banho, tem uma cena que a arrumadeira da estalagem, que limpava a casa amarela também, em que ela sugere a Vince que ele se lavasse uma vez por semana pelo menos, pois assim talvez arrumasse uma mulher. Vincent oferece 50 francos a ela como resposta e toma um não com a desculpa de que ele não tinha 50 francos já que não pagava aluguel há 2 meses.

Porém, Arles era uma cidade pequena onde todos se conheciam, e o artista era esquisitão.
As coisas começaram a ficar realmente ruins por conta da forma que as pessoas o tratavam lá. Não bastasse ser diferente e não tomar banho, seus quadros eram algo totalmente novo para a época, nenhum artista pintava mulheres azuis, nem girassóis morrendo.

Um dia, Van Gogh estava em um campo pintando em azul as raízes de uma árvore, quando uma professora passou por perto com seus alunos em excursão. As crianças ficaram curiosas e se aproximaram dele, que ficou atordoado com o barulho e com tantas perguntas. A professora diz aos alunos que não se pode viver de arte a não ser que você seja um grande artista, e como era raríssimo um artista realmente bom, tinham muitos que se achavam bons mas não eram. E então uma criança tenta passar o dedo na tela e Van Gogh perdeu o controle, gritou, apertou o braço do menino e saíram correndo todos do louco. Quando ele volta do campo, já era noite e um dos meninos estava esperando por ele na entrada da cidade, e escondido, jogou lhe várias pedras, e vincent saiu correndo atrás dele que gritou, e foi socorrido pelos moradores da região. E essa foi a primeira internação de Vincent, num hospital para doentes mentais.

Nesse hospital Theo percebe que não poderia deixar o irmão sozinho por sua conta, e como ele ia se casar, não poderia ser essa pessoa presente que o irmão precisava. Então ele escreve uma carta Pra Gauguin, e propõe que compraria 1 quadro dele por mês e enviaria mais 250 francos pra ele por semana, caso ele se mudasse para a casa amarelo e ficasse com Vincent.

Gauguin aceita, e eles se dão bem, apesar das muitas discordâncias e de sua arrogância em se achar mais atualizado, mais sábio, mais inteligente que o Van Gogh, e criticava seu trabalho,  dizia que ele deveria planejar melhor seus quadros, porque pintava tão rápido que não olhava o que estava fazendo, e que ele n vendia porque seus quadros eram grosseiros, com muita tinta e que usava tinta errado.
Van Gogh responde que a pintura tinha que ser rápida, sem rascunhos, e feita com gestos claros. Gauguin rebateu dizendo que ele pintava e repintava uma coisa em cima da outra… que seus quadros eram repetidos , e eram grosseiros feitos com muita tinta e que ele não diluia a tinta como deveria fazer.

E sugeriu que para melhorar seu trabalho, Vincent precisava pintar sozinho, e então diz que vai embora, que vai pra Paris, que conseguiu vender alguns quadros e precisa estar onde as coisas acontecem e que eles tinham temperamentos diferentes, o que tornava a convivência complicada, mas que ele tinha que ficar em Arles pra pintar e melhorar como artista, e que inclusive precisava da solidão pra isso - ele queria se livrar.

Vincent se magoava com as críticas quando vinham de pessoas que ele gostava ou admirava.
Era um homem culto, tinha uma visão crítica da arte, gostava de ler Shakespeare, mas surtava e quando isso acontecia não sabia o que estava fazendo.Quando Gauguin disse que ia embora, Vincent surtou, achou que havia feito algo ofensivo ao amigo e cortou a sua orelha esquerda, e disse posteriormente que queria dar uma lembrança pro amigo levar com ele. O amigo fugiu e ele colocou a orelha embrulhadinha em um papel e deu a Gaby, para que ela entregasse ao amigo já que ele não queria aceitar o presente de suas mãos.
Ele conta pro irmão que quando faz coisas assim não se lembra do que fez, e que era capaz de tudo.


Após esse surto, Vincent faz amizade com um médico no hospital, que gostava de desenhar e ele  lhe sugere uma internação voluntária numa casa psiquiátrica, mas Vincent só aceita a internação após outro evento, no qual uma  moça o interpreta errado quando ele ensina a pose que ela deveria ficar pra ele desenha-la fazer e a assusta e ela grita por socorro, e ele tem mais um blackout.


 Onde faz um tratamento e usa camisa de força, por um tempo até que conquista a alta por conta de uma conversa com um Padre, que era o responsável por indicar a diretoria do hospital psiquiátrico, quem podia sair pra vida no mundo e quem não.
Nessa conversa o padre mostra a Vincent um de seus quadros e pergunta pra ele se ele acha o trabalho dele bom, e porque ele era pintor.
Gogh diz que ele nasceu pintor que Deus havia dado esse dom a ele e que era o único dom que ele tinha. O médico desdenha, pergunta se ele ja havia tentado fazer outras coisas, se seus quadros vendiam e se ele vivia com conforto.
Gogh diz que não vendiam, que seu irmão pagava as contas, apesar do dom dele. Que o problema era que Deus tinha escolhido a época errada para ele viver. Assim como havia feito com jesus. e que não existia sequer uma carta de soldado pra namorada que contasse sobre Jesus na cruz escrita na época, e que jesus ficou grande após sua morte.
O padre deu a alta e Vincent e diz que ele não pode mais ir para Arles pois havia uma petição com as assinaturas dos moradores para que ele não pudesse mais ficar na cidade.

Vincent vai pra casa do irmão, duvidando de si mesmo, achando que era realmente um pintor ruim, mas as coisas haviam mudado e seus quadros faziam sucesso com os críticos de arte de Paris, mas ainda não vendiam, e seu irmao queria que ele ficasse na cidade, e acreditava que ele precisava começar a  socializar com as pessoas do meio, para que seus quadros vendessem, mas Vince não consegue se adaptar a vida na cidade grande, ele jamais se sentiu parte do mundo dos homens. Quando Gauguin escreve uma carta parabenizando o sucesso de Van Gogh, ele resolve voltar pro campo, pra longe das pessoas.
E vai para Auvers-sur-Oise, perto de Paris, onde morre em julho de 1890, com um tiro no estômago dado sem querer, por dois meninos vizinhos que brincavam de cowboy com as pistolas dos pais.
Antes de morrer Vincent já havia mudado sua forma de viver com o mundo:
““Quando eu pinto eu paro de pensar e sinto que faço parte do que existe fora de mim. O problema é pensar. Antes eu achava que o artista tinha que ensinar às pessoas uma outra forma de ver o mundo, mas hoje vejo diferente, agora só penso na minha relação com a eternidade…. eu queria que o mundo visse o que eu vejo, que existe beleza em tudo inclusive na tristeza. Aliás a tristeza é a mais bela, eu tenho medo de perder a minha e deixar de ser um bom pintor. “



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